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Há quase 50 anos, o Brasil considera oficialmente a data 25 de julho como o “Dia do Motorista”. Mas parece que o Poder Público ainda não compreendeu o que a data significa. Ou o que ela pode significar.

Instituída pelo Decreto 63.461/1968 – promulgado em plena ditadura militar – a data coincide com o calendário católico, que festeja o Dia de São Cristóvão, santo considerado o padroeiro dos motoristas profissionais no Brasil. Seu propósito é reconhecer e valorizar os motoristas que prestam serviços à sociedade atrás do volante de carros, táxis, ônibus e caminhões. Pessoas que se arriscam em infraestruturas viárias na maioria das vezes inadequadas e que carregam consigo a responsabilidade de transportar cargas e vidas diariamente.

Algo semelhante à história de Cristóvão, que teria se dedicado a transportar pessoas nas costas para atravessar um rio. E que nada tem a ver com a “comemoração” que se vê hoje nas propagandas de órgãos de trânsito, seguradoras, montadores e pré-candidatos que buscam acenar para suas bases eleitorais. Seria uma confusão leviana, típica de um País que possui mais de 500 datas comemorativas oficiais e que precisou até de uma Lei Federal (12.345/2010) para disciplinar as propostas que se multiplicam no Congresso Nacional. Mas a realidade é que, neste Dia do Motorista, o Brasil não tem nada para comemorar.

É que de acordo com Observatório Nacional da Segurança Viária, somente em 2014, 43.780 pessoas perderam a vida no trânsito. Uma verdadeira epidemia, que só se assemelha à quantidade de mortes por arma de fogo no País. Isso sem falar no caos urbano provocado pelo trânsito das grandes metrópoles, que impacta negativamente não só o meio ambiente e a economia, mas também os próprios padrões de convivência entre os cidadãos. É justamente por isso que não cabe hoje nenhum tipo de “comemoração”, mesmo que seja para ilustrar blitz educativa.

O que o Poder Público precisa fazer neste Dia do Motorista é garantir segurança e qualidade de vida dos profissionais que vivem nas vias e estradas do país. E não só deles, mas de todos que se beneficiam dos seus serviços ou que convivem com eles. O Brasil pode e deve se orientar pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que determinam reduzir pela metade as mortes e os ferimentos globais em vias públicas até 2020. Um esforço que demandará muita educação, fiscalização e melhoria da infraestrutura. Tanto para quem dirige quanto – e especialmente – para quem não dirige.

Com mais compromisso e menos oba-oba, o Dia do Motorista pode passar a significar uma data de reflexão e mobilização pela segurança no trânsito. Especialmente de pedestres e ciclistas, que, por sinal, não têm data no calendário oficial no Brasil.

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