O Recife conta com um ativo ambiental expressivo. O parque dos manguezais é a maior reserva de mangue urbana das Américas, consistindo de 320 hectares cercados de construções que vão desde palafitas até um shopping imenso. Tudo isso sendo cortado por uma via onde transporte público coletivo não pode passar.

Em 2010, a Prefeitura do Recife estabeleceu que a área deveria ser um parque natural municipal mas, desde então, o projeto não saiu do papel. Isso se deve à disputa judicial envolvendo a Marinha, proprietária da região dos mangues, e a prefeitura. A Marinha só liberaria a construção deste parque se obtivesse o benefício que uma mudança na legislação urbanística da cidade fosse lhe proporcionar.

Dessa forma, um esforço de preservação de um patrimônio ambiental tão importante para o Recife fica perdido em disputas de interesses alheios ao bem da coletividade. A construção de uma cidade mais sustentável deve se pautar pela preservação de áreas como o parque dos manguezais, ainda que isso implique em contrariar interesses particulares poderosos. Isso só pode acontecer com uma sociedade civil que cobre proatividade e firmeza do poder público perante atores com poder econômico e político expressivo. Além disso, é preciso resgatar e reconhecer a importância do meio ambiente da nossa cidade. Só assim é possível transformar o Recife num ambiente urbano orientado para o aproveitamento sustentável dos seus recursos ambientais.

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